Francisco Portugal e Gomes – Portugal
Museu-Ponte da Academia em Veneza
English text at the end
La doble función de un puente, como tal y como edificio contenedor, es una tipología arquitectónica en boga. El puente-edificio como programa de proyecto es un modo vigente de teñir con arquitectura la vida urbana.
El reciente concurso internacional Venecia 2006 organizado por la agencia Arquitectum es un ejemplo de esta tendencia. El tema del concurso era un nuevo puente para reemplazar al actual puente sobre el canal grande que está frente a la Academia de Bellas Artes, el Puente de la Academia. Un museo puente que permitiera exponer elementos significativos de Venecia a un tráfico masivo.
El primer premio lo obtuvo el equipo argentino liderado por Marcelo Degiovanni.
Presentamos aquí el proyecto de Francisco Portugal, que obtuvo la mención “Proyecto Tecnológico”.
Proyecto ganador del concurso, del equipo argentino liderado por Marcelo Degiovanni.
Ver Periódico Digital de la Universidad de Rosario, Argentina (www.unr.edu.ar/periodico/secciones/2006/septiembre/___arq-concurso-venecia.htm) y www.arquitectum.comArquitectum en arkinetia
Memoria en portugués::
Os objectivos da proposta do novo Museu-Ponte da Academia, partem do reconhecimento de uma estrutura urbana consolidada com significado patrimonial e paisagístico muito intenso, e consistem por um lado na criação arquitectónica da “porta” de entrada no Grande Canal que serpenteia Veneza, e por outro lado na revitalização do percurso Sudeste/Noroeste que estabelece ligação entre zona de Dorsoduro com a parte interior da cidade, desde a parte central do bairro de São Marcos, passando por diversas ruas e praças, para terminar na Ponte de “Rialto” e na grande praça de San Giacomo. Constitui ainda objectivo adicional garantir a integridade do jardim do Palácio Cavalli Franchetti no âmbito de um programa de conservação da generalidade das espécies vegetais existentes na área de intervenção tendo em consideração a sua importância para a requalificação ambiental de Veneza, face à escassez de espaços verdes.
O conceito desenvolvido baseia-se no princípio de edifício-porta como ponte-disciplinar. Tomando como ponto da partida a especificidade de um museu-ponte, elemento de fusão entre a função da travessia pedonal lúdica e a função de museu de arquitectura, reveste-se de particular relevância explorar a criação de um signo arquitectónico onde se reconhece o seu carácter tipológico excepcional – um elemento singular como parte de uma infra-estrutura territorial e cultural onde se estabelecem ligações recíprocas. Muito mais importante do que o significado formal específico do edifício-ponte em si, interessa sobretudo desenvolver uma solução que recrie não só a ligação física, concreta, mas que também possibilite estabelecer ligações espirituais entre o passado e o futuro, gerar “pontes” do conhecimento arquitectónico, dos valores a preservar e a testemunhar.
A implantação do edifício inscreve-se na área de 15x78 m de ocupação definida no progarma do concurso. Não obstante a sua ocupação limita-se a uma faixa de 10,5 m de largura, de modo a não invadir nem a destruir a integridadade do jardim do Palácio Cavalli Franchetti. O edifício é composto por três unidades, em que uma dela (unidade A), pousa em duas peças distintas de suporte onde se localizam os acessos verticais (escadas e elevadores). A unidade B, localizada do lado da Academia, junto da Igreja de S.Maria della Carità, dispõe de hall de entradra, serviços administrativos e instalações sanitárias públicas. A unidade C, localizada na margem oposta, limita-se a um acesso secundário onde se ergue uma “grande coluna” de suporte estrutural cuja articulação volumétrica directa com a nave suspensa, unidade A, liberta o espaço para a ponte pedonal sobre o Grande Canal, definindo-se a partir deste lado como uma porta do percurso urbano que estabelece ligação com a ponte do “Rialto”. O espaço do museu caractriza-se pela presença da luz natural que atravessa os envidraçados que, preenchem os arcos dispostos alternadamente para cima e para baixo, formando treliças estruturais em betão branco, que determinam a personaliadade do edifício e atribuem corpo e presença ao espaço interior. Este é organizado com base em critérios de versatilidade funcional entre as várias áreas expositivas que, permitem utilizações distintas dos espaços- salas de exposições temporárias e sala de exposições permanente - caractrizadas pela proximidade ao acesso principal e à cafeteria, localizada na numa das extremidades, junto do acesso príncipal.
A ponte e o museu partilham o mesmo território. A travessia pedonal é um grande espaço coberto que permite desfrutar livremente a paisagem do Grande Canal. A face inferior da grande lage em betão branco com 71x10,5 m é uma superfície espelho do interior do edifício, um registo das memórias do seu arquivo, na qual surgem gravados em baixo relevo os nomes das obras mais significativas de Veneza, as datas e os seus autores que, se podem ler desde aa escadas da ponte. O texto gravado na betonagem da obra ou a gravar no futuro, orienta-se segundo o curso das águas do Grande Canal, em sentido ascendeste e descendente, como que fixando memórias através dos fluxos transitórios e cíclicos. Os sons ambientes são captados e ampliados a partir da caixa de ressonância determinada pela grande lage que cobre a ponte, este espaço converte-se num lugar das sonoridades dos homens e das mulheres que o percorrem e do movimento das águas do Grande Canal em contacto com os muros dos edifícios e plataformas das margens por onde se chega e se parte de Veneza.
Memoria en inglés::
The aims of the proposition for the new Academy Bridge-Museum depart from the recognition of a much consolidated urban structure with an intense patrimonial sense. These same aims consist in the architectural definition of the entrance “door” in Great Channel that winds Venice, and also in the revitalisation of the southeast/ northwest course that establishes the connection between the Dorsoduro area and the interior part of the city, from S. Mark quarter, going by several streets and squares, ending in the “Rialto” Bridge and in San Giacomo square. The guarantee of the Cavalli Franchetti Palace garden integrity appears as an additional aim to this proposition, also considering its importance to the environmental re-qualification, before the green spaces scarcity in Venice.
The developed concept is based on the principle of the door-building as disciplinary bridge. Facing the specification of a Bridge-Museum – fusion element between the pedestrian crossing function and the architecture museum function, recognising its exceptional type – it is extremely important to explore the creation of an architectural sign, where it is chiefly interesting to develop a solution that recreates not only the real physical connection, but also the possibility of spiritual connections between past and future times. Moreover, it will enable the creation of “bridges” of architectural knowledge, of values to preserve and to testify.
The building is composed of three units that do not go beyond 15 m high. The upper floor (Unit A) crosses the Great Channel and lays down on two distinct prop pieces, where the upright accesses are also located. In the Unit B, placed near the Academy, we find the hall, the administrative services and the public toilets. The Unit C, located in the opposed border, is a secondary access and also a “big column” of structural support, which large articulation directly to the suspended nave, Unit A, transmits the empty space to the pedestrian bridge over the Great Channel, thus defining itself as an urban path connecting with the Rialto Bridge. The last floor has two distinct areas: close to the main access we find the exhibition areas and the cafeteria; on the opposite side we have a more restricted area where we can find the plans room, the archives and the sketch and models room. This floor distinguishes itself by natural light presence, which crosses the glazes that fill alternately disposed arches, upwards and downwards, forming structural trellises in white concrete. The museum area is organised in a versatile and functional mode, enabling the rotation of the vertical panels, allowing different uses for the exhibition area. The building implementation in a bridge-shape occupies an area of 15 x 78 m defined in the contest program and confined to a 10,4 m wide zone, avoiding the invasion or destruction of the Cavalli Franchetti Palace garden integrity. The Unit B, at ground-floor level, extends itself to southeast until the platform limit of the Academy.
Both the bridge and the museum share the same field. The pedestrian passage is a covered area that allows the free advantage of the Great Channel landscapes. The inferior face of the flagstone in white concrete with 71 x 10, 4 m is a mirror surface of the building interior archives, in which the projects names and the most important works of Venice emerge, as well as its dates and authors. This information is readable from the bridge stairs on. The engraved text on the concrete work, or the one to be engraved in the future, leads itself by the waters course of the Great Channel, upwards and downwards, as fixing the memories through the transitory and cycling streams. The ambient sounds are captivated and amplified from a resonance box, produced by the great flagstone that covers the bridge. This space is thus converted in a place of sonorities from the men and women that go through it and also from the Great Channel waters movement in contact with the buildings walls and the borders platforms, where one can arrive and depart from and to Venice.